Poema
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Filho de sua terra fui criado,em teu chão homem me formei;o teu mito, nunca dantes revelado,em meu peito eu resguardei.Peço a Deus, meu Bem-Amado,para quem, com a justiça, não faltarei,que me auxilie nessa história,e sobre tu possas cantar a glória.Muito me dói que, sobre tuas façanhas,eu – simples marceneiro – deva narrar.Dos poetas e rapsodos
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Quem diz que Amor é falso ou enganoso,ligeiro, ingrato, vão, desconhecido,Sem falta lhe terá bem merecidoQue lhe seja cruel ou rigoroso. Amor é brando, é doce e é piedoso;Quem o contrário diz não seja crido:Seja por cego e apaixonado tido,E aos homens e inda aos deuses odioso. Se males faz Amor, em mim se vêem;Em
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Amar é desejar o sofrimentoE contentar-se só de ter sofrido,Sem um suspiro vão, sem um gemido,No mal mais doloroso e mais cruento. É vagar desta vida tão isentoÉ deste mundo enfim tão esquecido,É pôr o seu cuidar num só sentidoE todo o seu sentir num só tormento. É nascer qual humilde carpinteiro,De rudes pescadores rodeado,Caminhando
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1 Sôbolos rios que vãopor Babilónia, me achei,Onde sentado choreias lembranças de Siãoe quanto nela passei.Ali, o rio correntede meus olhos foi manado,e, tudo bem comparado,Babilónia ao mal presente,Sião ao tempo passado. 2 Ali, lembranças contentesn’alma se representaram,e minhas cousas ausentesse fizeram tão presentescomo se nunca passaram.Ali, depois de acordado,co rosto banhado em água,deste sonho
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Se és capaz de manter tua calma, quando,todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.De crer em ti quando estão todos duvidando,e para esses no entanto achar uma desculpa. Se és capaz de esperar sem te desesperares,ou, enganado, não mentir ao mentiroso,Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,e não parecer bom demais,

